Cada um oferece o que tem. O atleta compartilha o seu talento, os torcedores compartilham a sua alegria.
Se o futebol é para dar alegria, se une os povos nas olimpíadas, se une um país numa Copa, superando qualquer prioridade no momento sublime - o Brasil na final, campeão -, como não reconhecer o poder de conduzir as massas e de, ao mesmo tempo, ser conduzido por elas?Brasil, 5 regiões, um "continente", diferentes povos, um só idioma oficial, aparentemente fácil de interagir, de integrar, socializar. E nesse contexto está a força do esporte e, no Brasil, sem sombra de dúvida, o futebol é o maior elo entre diferentes comunidades. As contradições, no entanto, dominam. Quando o assunto é campeonato brasileiro, complicações em dobro, disputas regionalizadas, discriminatórias e queixas generalizadas das arbitragens. Esses, os árbitros, se já entram em campo com a pressão natural de um jogo, levam a espada pronta para cravar sobre suas cabeças, diga-se, especificamente, uma espada com escudos da região Sudeste. Falar em Sudeste é pensar nos 4 estados que a representa, porém, em se tratando de futebol, a pressão resume-se ao eixo "Rio - São Paulo". Em tese, nada contra, em todo o Brasil muitos admiram o futebol paulista e o carioca, assim como também admiram o futebol mineiro, gaucho, baiano, pernambucano, cearense. Citados esses, preterindo outros, talvez apenas diante da representação das massas, grandes torcidas e grandes paixões. Mas o Brasil é ainda muito mais: paraenses, alagoanos, amazonenses e os demais apaixonados pelo futebol. Todos os estados são responsáveis por espalhar os craques pelo país e, diante da força "da grana que ergue e destrói coisas belas", concentram-se no referido eixo. Há esperança em contrapor tudo isso, no entanto, já que os movimentos dos craques demonstra novas tendências, com mais profissionalismo e as melhorias das estruturas dos clubes avançam em todo o Brasil. Apesar de mudanças ainda discretas há de trazer maior igualdade e maior reconhecimento e valorização de todos os estados.
Tentando compreender essa realidade, e as suas causas, vale refletir sobre a quebra de braço entre os que dominam o futebol brasileiro, especificamente sobre o poder que atua silencioso, como sujeira que se põe para debaixo do tapete, e entre muitos que ainda pensam que existem povos de "regiões menores" no nosso futebol brasileiro. Num cenário de muito dinheiro, dentro e fora dos clubes, um mundo de informação, cartolas, cronistas poderosos, império de grandes redes de comunicação, interesses variados e uma mistura de "povo X poder" bastante complexa, mas que se fazem previsíveis, a cada ano, nos resultados que contabilizam e concentram os títulos brasileiros por estado/região desde 1959:
São paulo - 24 títulos (São Paulo, 6 - Corhintians, 4 - Palmeiras, 7 - Santos, 7);
Rio de Janeiro 14 títulos (Flamengo, 6 - vasco, 4 - Fluminense, 2 - Botafogo, 2);
Minas Gerais 3 títulos (Cruzeiro, 2 - Atlético, 1);
Região Sul 7 títulos (Internacional, 3 - Grêmio, 2 - Atlético/PR - 1 -Coritiba, 1)
Região Sudeste 3 títulos (Esporte Clube Bahia, 2 - SPORT, 1)
Nenhum comentário:
Postar um comentário